Achamos que o Fernando Ernesto ( FM ) chegaria nesse mesmo dia por volta de 9h da manhã, mas com tantas coisas para resolver e certos de que ele tinha o endereço de casa e o telefone do Coach Alex, nos despreocupamos quanto a sua chegada, convictos de que em algum momento ele apareceria. O dia foi passando e nada de notícias e quando o relógio já batia em 6:00pm começamos a estranhar e nos preocupar com nosso companheiro de jornada, achando que talvez estivesse perdido em algum lugar em Miami, andando sem rumo por não saber nada em inglês além de "The book is on the table", "Ketchup" e "Cowboy".
Com as malas desfeitas e nada pra fazer, nos restava apenas um lugar para ir, o Supermercado. Como era caminho para o local onde deveríamos abrir a conta de internet, levei uma pasta com meus documentos e os documentos da casa.
Mortos de fome e precisando abastecer um pouco a casa de comida para pelo menos termos um jantar, andamos até o Publix que pensávamos ser um pouco mais perto mas que nada que 15 a 20 minutos de caminhada não resolvam. Obviamente que as compras acabaram sendo maiores do que o esperado e as sacolas eram tantas que ficou impossível trazer de volta caminhando. Como todo brasileiro quer ser esperto, a solução encontrada foi levar o carrinho de supermercado para casa, mas pra nossa imensa sorte ele tinha um dispositivo que travava as rodas após certa distância. Irritado, Erick foi até a pizzaria que existe em frente pedir que alguém chamasse um táxi, já que era nossa última opção. Uma idéia um tanto quanto estúpida, visto que ainda em choque com a chegada aos EUA, Erick não conseguia falar muito bem inglês, mas após cerca de 10 minutos enfim conseguiu.
Compras no carro, minha pasta com o Erick e o taxista nos deixou na porta de casa. Erick deixou minha pasta no banco para pagar o motorista, enquanto eu já ia tirando as compras do porta-malas. Retiramos tudo e quando fui ver faltava apenas os pacotes de macarrão. Nesse exato momento rola a seguinte conversa:
Erick: Pega a pasta.
Israel: Ok, to pegando aqui (achando que ele se referia ao macarrão).
Erick: Pegou a pasta?
Israel: Já sim.
Erick: Pegou a pasta mesmo?
Israel: Já Erick, já coloquei junto com o resto das compras.
Erick: Ok então.
Me viro pro taxista e digo que pode ir.
Passados alguns poucos segundos, um estalo na minha mente.
Israel: Erick, por acaso a pasta que você estava falando, era a MINHA pasta?
Erick: Ah não, não vai me falar que...
Israel: #*&#@!&^%!
Após breves momentos de desespero, corro até a piscina onde deveria ter recém terminado o treino do qual havíamos sido dispensados, em busca de ajuda. Chego correndo, suando e extremamente preocupado perguntando pelo Coach Alex, mas só restava por ali um grupo recém chegado de brasileiros da UCS e Leo Hobi que fazia os registros dos nadadores.
Uma explicação totalmente atrapalhada dos acontecimentos porém com detalhes imprescindíveis fez com que Leo ligasse para a central, conseguisse entrar em contato com o próprio taxista que havia nos levado em casa e me tranquilizasse dizendo que ele voltaria assim que possível para devolver a pasta que já havia notado.
De volta ao estacionamento de frente de casa, fico à espera do taxista enquanto Erick guarda as coisas em casa e prepara o jantar. Janto na rua, com os olhos grudados no horizonte esperando pelo aparecimento de um carro que me trouxesse esperança, quando de repente uma van aparece. Dessa van sai FM e no mesmo momento o táxi chega trazendo minha pasta de volta.
E percebemos então como o destino atua em inúmeros momentos de nossas vidas, pois descobrimos que o FM não tinha o endereço certo de casa como imaginávamos e apenas encontrou o local certo porque a van ia passando e eu estava na rua.
Por fim, FM chega são e salvo em casa, minha pasta é trazia de volta e a janta está pronta. Somos 3 agora e estamos em um país onde as pessoas são muito mais honestas com toda certeza. Tudo resolvido!!!
Quer dizer, quase tudo.... FM, cadê sua mala????
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